"Poetizar" é minha maneira de [não] estar só.

de tão claro, enxerguei a escuridão

Vago
Vag

Vaga-lume


Vagalume

O vagalume se chama Vagalume
Pois vaga em um lume

Não sou vagalume
Mas vago, sem lume, por isso vago
E tudo é tão vago!

Sem iluminar
Passar é o que tempo faz
Dependendo do tempo, ele divaga linear

A rosa despetala-se

Shakespeare criou a obra e peça teatral Ricardo III que traz em seu contexto questões políticas e ostentações de poder.
Em um dos atos ele traz um comportamento de Ricardo III [nome da obra é o mesmo que o da personagem] que para mim exprime algumas das atitudes nos homens de hoje.

Explico.

Ricardo III mata nos campos de batalha o marido e sogro de Ana. No velório Ricardo aparece e corteja Ana. Ela o repugna. No entanto, com todo seu poder de retórica, Ricardo contorna a situação e a lisonjeia: “Divina perfeição de mulher”, “Mulher belíssima, cuja formosura não é possível expressar...”. O mais interessante é que ele não nega o crime, porém os atribui a Ana,
elucidando que os cometerá por ela. “Foi vossa beleza a causa desse efeito! Vossa beleza que me incitou...”. Forja um possível suicídio em nome dela, se assim ela o desejar.
Não sei se Ana acredita no arrependimento de Ricardo, certamente não, mas não deixa de aceitar o anel que ele a ofereceu e então torna-se noiva do assassino.
Ricardo, falso, faceiro, egocêntrico e inteligente (minha opinião. Shakespeare, me perdoe!) não deixa barato e zomba da futura esposa dizendo: “E entretanto consente ela em fixar em mim os seus olhos... Em mim, coxo e tão disforme... Por minha vida, embora eu não concorde com isso, ela me acha maravilhosamente encantador... Vou encomendar um espelho...”. Nada Irônico o rapaz não?!
Os dois se casam e Ricardo é coroado rei.
Em outra cena, Ricardo em conversa com a Rainha Elizabeth, viúva de seu irmão Eduardo IV, diz: “Fica, então, sabendo que amo tua filha com um afeto do fundo de minha alma”.
Ricardo almeja a ajuda da cunhada para conquistar a sobrinha. Então, ele apela para o narcisismo de Elisabeth, dizendo que os futuros filhos dele com a sobrinha serão como os dela, então ela poderia ser mãe de um futuro rei novamente.
Diálogo de Elizabeth e Ricardo:
Elisabeth: Estarei assim sendo tentada pelo demônio?
Ricardo: Sim, se o demônio vos tenta para o bem.
Elisabeth: Esquecer-me-ia eu mesmo de ser eu mesma?
Ricardo: Sim, se a lembrança de vós mesma prejudica a vós mesma.
Elisabeth: Mas tu mataste meus filhos!
Ricardo: Mas sepultá-los-ei no seio de vossa filha, em cujo perfumado ninho renascerão por si mesmos para vosso reconforto.
Elisabeth: Irei conquistar minha filha para teus desejos?
Ricardo: E feliz mãe, sereis assim!
Elisabeth: Irei... Escreve-me logo e por meu intermédio conhecerás os sentimentos dela.
Ricardo: Levai-lhe o beijo do meu sincero amor!
(sai a rainha)
Ricardo: E com isto, adeus! Frágil louca, mulher fútil e inconstante!

É assim. Esses tempos modernos de consumo fácil e conquistas baratas encontramos Ricardos terceiros aos montes por aí. Ricardos que não conhecem respeito. Ricardos que utilizam-se de alguma vantagem para manipular jus a uma satisfação vazia.
Não estou levantando nenhuma bandeira prol de qualquer coisa ou causa feminista. Longe disso! Há mulheres Ricardianas convictas, agem tal como. Talvez por mecanismo de defesa ou por acreditarem que o comportamento é válido.
A dúvida não é essa! Quem faz ou quem não faz. Se é homem ou mulher.
O problema está no Porque isso ocorre.
Perdemos a noção do valor no ser humano?
Será que esse valor está cotado junto a Bovespa?
Os nossos títulos e ações chamado Respeito foram para o saco junto com a queda da Nasdaq?
A base da pirâmide está no Respeito, sem ele você não ama, não aceita, não entende, não cala, não consente, não contempla, não enxerga....
Tal como o Nazismo, vivemos essa era Narcísica e Egocêntrica que age de forma impetuosa e imperativa. Remete a extinção da espécie sem botox, e superestima o que convém, o que é superficial, porque se não me é belo ou então um prazer barato e satisfatório a curto prazo, não presta!
Cômico que tão absurdamente se tornaram ao ponto de vista ser comum. Realmente, “a unanimidade é burra”.
É o mal do século, é a peste negra!
Verdade. Os terapeutas que se cuidem, os consultórios estarão em superlotação para escutarem lamúrias sobre solidão, quando os mesmos que vão abraçar o divã e reclamar, quando saem de lá o que soçobra apenas abraçar os amigos na balada e cantar:
“Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”.

Contínua...

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Fast-food atual.
- Me vê uma mulher com pernas bem torneadas, uma barriga tanquinho bem bronzeada e tríceps malhados. Ah! Não esquece de temperá-la com um sorriso de plástico.
Sim! Aceito a promoção de um cérebro médio como acompanhamento e uma alma enlatada em 300 ml light com gelo e limão.





Nem Pandora acredita nas atitudes desses indivíduos. Deveras, quando abriu sua caixa e soltou todos os males da humanidade caprichou ! Coitada, acho que ela nunca imaginou que chegaríamos a tal ponto.

Os pedreiros não são inteligentes. Os Pedreiros são sábios!

Conheci uma pessoa que morava do outro lado, ela tinha imensos interesses em reformar sua casa.
Um certo dia, resolveu contratar um pedreiro e compartilhou seu desejo de viver no lugar mais belo. A proposta era reformar toda a casa, compraria os azulejos e pisos mais caros e bonitos, pintaria as paredes, trocaria as portas e janelas.
O pedreiro de prontidão aceitou a oferta e no mesmo dia saiu para comprar todos os utilitários dessa grande mudança. No dia seguinte, era um quebra-quebra de lá e poeira para todos os lados...
No final tudo ficou esplêndido, impecável e constantemente ouvia-se sons de risadas vindo de lá, murmurinho de pessoas se divertindo, barulho de talheres e copos. Esses encontros e jantares ocorriam freqüentemente. Até que um dia cessou e assim foi que passaram-se algumas semanas.
Certa vez ouvi uns sons altos vindo de lá, ouvi palavras de ofensa.
O pedreiro tentava explicar para o sujeito que as marcas de umidade que ridicularizavam as paredes era problema na estrutura e não do seu serviço e que por mais que ele deixasse tudo impecável o tempo denegriria tudo novamente, caso ele não tomasse alguma providencia.
Foi então que compreendi o que ele dizia ao dono, que não conseguia ouvi-lo. Ele precisaria derrubar toda a estrutura e refazer novamente os alicerces para que então a casa pudesse estar pronta para ser decorada.
E ele explicava, explicava, explicava.

- Vai pricisa dirruba tudo aí, essa parede num vai fica bonita se o encanamento ta podre. O sinhor não entendeu que o meu serviço eu fiz?

Mas mesmo assim tem gente que não entende.
Há aqueles que preferem acreditar que com as paredes pintadas, a água podre do encanamento não terá coragem de estragar tão bela arte.

Antes, entrever-te era meu prazer,
Era um estudo. Era arte.
Hoje, já não sei mais a cor dos seus olhos
“Meu coração bate travado”

contentamento do comportamento

me entrelaço aos verbos
para que os façam versos
heis que uma palavra foge
pracá
pralá
me desafia e desatina
se emarenhando,
agora não aos verbos.
Arrogância dos meus devaneios
entorno e torno à desejar ter tudo
apenas no devido lugar

Sujeitos ! voltem para cada verso de seu verbo,
E que não se conjuguem Ser que sejam Serão.

é de profecia:
Eis meu modo de não ser só.

paratudoaquilo

Aquilo que não se vê.
Aquilo que não se sente
Ah, Sente

Para aquilo que se cria
Nas mãos quentes da ilusão
Nas botas frias de verniz

Aquilo, que se desfaz cedo demais
Aquilo, que os lábios não sentiram o vão calor
Aquilo, que é de face fria

Aquilo que invivido,
embevece, posto e suposto por inveja

Aquilo que na conclusão
para Minguém concluir e ir...