"Poetizar" é minha maneira de [não] estar só.

Se você conhecer a Essência; Cuidado! A Verdade é perigosa.

Um dos poemas [audácia minha caracterizá-los como tal!] que escrevi, tem o seu início assim:

Eu não sou onde estou
Sou o que sou mediante a mim...
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Você já chegou a se questionar sobre quais são suas verdades?

Inúmeras vezes me pego por refutá-las quando geram grande desconforto.
Acredito que muita gente faz isso também, acho que o que me difere é que tenho aversão a dogmatismo, “verdades perfeitas” e busco fazer da realidade uma dúvida constante. É como se ela fosse uma coisa estranha a todo tempo, não a faço de amiga íntima. Eu desconfio dela.
Muitos entendem que a verdade está na percepção, alguns que está no dizer e outros no crer...

Num desses dias das minhas férias eu fui viajar. Estava com a janela do ônibus aberta, sentindo a brisa boa de vento bater no rosto. Como sempre estava pensando na vida e degustando aquele imenso prazer que a sensação de liberdade traz. Ah! Só ela sabe fazer isso muito bem!
Lembrei do poema que havia escrito como comentei no início; O momento estava bem propício para que ele fizesse mais sentido e se tornasse tão intenso para mim. Não pelo ato em si, viajar, se distrair ou coisa assim, mas pelo que ele me trouxe, a companhia, ela, sentada ao meu lado, na poltrona 19, a quase íntima Essência. Por alguns instantes eu tentei ignorá-la, ela queria ter um papo cabeça e eu só queria ficar longe, brincar com meus pensamentos, mas não algo sério, não naquela noite não, não era para acontecer. Pretensão de minha parte, achei que conseguiria censurá-la, mas ela é faceira tão logo me dominou. Me trouxe algumas lembranças e um segredo, Essência tem uma irmã gêmea, nasceu primeiro por uma pequena diferença de tempo, entre 1 querer e 1 sentimento, então veio a caçula, Verdade.
Deduzi que a partir daquele momento a Essência não iria separar-se mais de mim, estava ali, junto a minha bagagem, junto as minhas maquiagens. Porém com ela, viria também sua irmã, a Verdade. Essência me seduziu, me fez promessas e propostas; Fez um pacto de sangue, que dali em diante por toda a eternidade seria apenas nós três. Eu, Essência e Verdade. Um casamento, um sexo, uma união.
Não pude fazer como todas as outras vezes, não resisti. Ela entendeu. Minha cara deixou mesmo um ar tácito, o ar do “aceito o convite”.
Fechei o vidro, a neblina da serra já estava cortando meu rosto. Dormi.
Sei o que me levou a entender o que significa “Não SER ONDE você está”, porque sem antes conhecer a essência do seu ser, nada te leva a suas verdades. O onde você está, é apenas a transição, no meu caso, o ônibus em que eu estava. O destino dele era para uma decisão, uma decisão que estava me corroendo em tomar, que se eu não tivesse aberto a janela e sentido a Essência ao meu lado jamais conheceria a Verdade, que muitas vezes passou por mim como um Deja-vu, mas eu estava com os vidros abertos e apenas olhando para o céu.
O ônibus chegou a seu destino, eu desci, junto a mim estavam minhas bagagens e as duas. As duas.

[Viajar com a poltrona vaga. Por ora.]

olhar para o céu e só ver o céu ?
quem consegue mentir para o mar ?