"Poetizar" é minha maneira de [não] estar só.

na longevidade de uma noite.

Certa vez, escrevi que não se pode ser poeta e ser feliz. Realmente, essa afirmação me leva a entender o porque fiquei tanto tempo afastada daqui...
É, muito tempo.
Neste instante, retorno. Apenas, neste instante.
"Amanhã há de ser outro dia".

não tente, saiba.


tente saber que eu varo noites provando o nectar solitário das madrugadas
que eu vivo agora de angústias por esperar e esperançar sua atenção

tente saber que o seu silêncio em mim
ecoa como inverno
e que a sua não volta me provoca revoltas, me confundi.

...eu quero estar entre seus braços e não entre estes espaços.



- você pode negar, mas eu sei desse seu segredo:

feito ocular é que te divide dos afortunados
fato é que podes acreditar que o mundo é colorido
contraditório portanto se torna, quando teus olhos não conseguem enchergar tais cores...

e tudo é cinza.


aviso.

...nesse caminho de delongas, porém de tempos curtos, pode ser que você se encontre.
Cuidado ao esbarrar em você.
Cuidado.

Simples.

...Tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Desassossego do espírito por temor do futuro...

... te encontrar
te fazer meu [sabendo que não é]
respirar o mesmo ar que o seu
e te separar os trechos das canções que lembre você em mim

em pensar-te como alma que me completa,
mesmo complexa
mas por inteira - magnitude

em contar e recontar no relógio
do meu tempo ansioso
sobre sua chegada lenta

dos descompassos da minha respiração
sobre cada imaginável toque

sonhar de interpretar olhares....

por onde andas que esta em mim o tempo todo e não chega ?
Não chega.

perigosa intensidade

mergulho nos meus sentimentos
imersa.

me corto com cada emoção
rosas com seus espinhos.

vento gelado na cara.

eu, que nem entendo gente.
gente, bicho, coisa. tudo o mesmo.
porque com tudo eu sofro.
por tudo eu morro.
por tudo eu me entrego.

Eu amo da forma mais intensa.
não sei ser medíocre.
não sei gostar pouco. não sei odiar pouco.

Minha balança desrregulada.

Injusta comigo nos meus afetos?
Odeio poucos. Amo muito.
Talvez...

Que se é então egoísmo querer ou amar a tudo mais que todo mundo ?

Quero o muito. Quero exacerbo. Exagero. Hipérboles.
Gastar redundâncias...E que me digam: Prolixa!
Direi que sou. Assumo com grito.

Porque vivo de entregas.
Não me submeto a menos.

Me assimilo ao mar, a lua, ao céu e a humanidade.

Quero viver e respirar até o último verso minha singela e perigosa intensidade.